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Descendentes de São Leopoldo no Brasil, os von Hohendorff

Entre os milhares de imigrantes que por aqui aportaram, alguns eram descendentes da nobreza alemã. Segundo o Direito alemão apenas o filho mais velho tinha direito de herdar a fortuna paterna. Motivo pelo qual muitos emigraram para a América, pois, eram filhos mais novos que não tiveram direito a herança. Os filhos dos nobres também tinham aulas práticas sobre militarismo, muitos eram filhos de oficiais renomados e, portanto também almejavam a carreira militar.

D. Pedro I precisava de soldados para proteger as fronteiras do sul do Brasil. Já no começo da imigração, chegaram ao sul vários militares descendentes de nobres. Hunsche foi um dos únicos pesquisadores sobre a imigração alemã que escreveu sobre a atuação desses militares. Um dos mais conhecidos foi a barão von Schlabrendorff (Friedrich Wilhelm von Schlabrendorff) que era afilhado do imperador da Alemanha e que se estabeleceu em Bom Princípio e deixou descendência na região.

Um dos poucos nobres que emigrou da Alemanha e não destinou sua vida a atuação militar foi o imigrante Friedrich Heinrich von Hohendorff, conterrâneo de Schlabrendorff que veio ao Brasil a convite do barão, que lhe daria um cargo militar. Ao chegar ao Brasil o barão lhe transformou no tratador de seus cavalos. Von Hohendorff então, cortou relações com von Schlabrendorff e fundou um curtume em Feitoria, São Leopoldo onde casou e deixou descendência.

O imigrante von Hohendorff nasceu em sete de abril de 1828 em Bannow, na Prússia Oriental. Era filho de Friedrich Gustav von Hohendorff e Luise von Larisch e neto paterno do coronel Johann Friedrich von Hohendorff. A linha paterna dessa família remonta ao ano de 1400, ao ancestral mais remoto, Martin von Hohendorff. Os von Hohendorff seguiram por diversas gerações enquanto tinham poder financeiro, o costume alemão de casar seus filhos mais velhos com moças mais nobres que eles. Baronesas, condessas e duquesas figuram entre as ancestrais mulheres dos von Hohendorff.

Talvez um dos casamentos mais importantes arranjados pela família foi o de Albrecht Ludwig von Hohendorff (trisavô do imigrante) com Barbara Katharina von der Groeben no ano de 1712. Barbara Katharina era sobrinha do explorador alemão Otto Friedrich von der Groeben, escolhido pelo príncipe eleitor de Brandemburgo para chefiar a colonização alemã na África no ano de 1682. Barbara era neta paterna do senhor feudal e general Georg Heinrich von der Groeben, descendente pelo lado materno de importantes famílias da Prússia Oriental como os Finck von Finckenstein e os Truchseß zu Waldburg.


O explorador alemão Otto Friedrich von der Groeben


Os Truchseß zu Waldburg cujas origens remontam ao ano de 1100 eram descendentes pelo lado materno, de quatro conhecidos imperadores alemães, Otto o Grande da Saxônia, Carlos Magno, Frederico Barbarossa e Henrique o Leão.

Nas fotos a seguir, podemos ver onde residiam, originalmente, antes da imigração para o Brasil, alguns ramos dessas famílias:

Antiga residência dos ancestrais Waldburg na Alemanha


Burgo dos von Egloffstein, pertencente à família desde 1358


Burgo dos ancestrais von Dohna, na Saxônia


Entre os ancestrais mais ilustres também figura São Leopoldo. Nascido Leopold III von Babemberg no ano de 1095, Leopoldo era um conde austríaco, defensor do catolicismo, que foi santificado pela igreja católica e se tornou o santo padroeiro da Áustria. São Leopoldo era também o santo da Imperatriz Leopoldina, esposa de D. Pedro I, e a cidade do Vale dos Sinos leva hoje o seu nome por causa da Imperatriz Leopoldina, foi também devido às origens de Dna. Leopoldina que por aqui aportaram seus conterrâneos.



A esquerda São Leopoldo da Áustria (antepassado dos von Hohendorff do Brasil) em imagem trazida da Alemanha no século XIX, exposta no museu Histórico Visconde de São Leopoldo. A direita Carlos Magno, outro ilustre ancestral da família von Hohendorff do Brasil.

Outros ancestrais ilustres dos von Hohendorff foram Santo Ladislau (da Hungria), São Wladimir de Kiew, Santa Ludmila (da República Checa), São David (da Escócia), Santa Mathilde von Ringelsheim, Santa Edwiges (da Silésia), Santa Olga (da Ucrânia), Santa Adelaide (da Itália), Santa Margarete (da Escócia) e Santo Arnulf de Metz. Os von Hohendorff tiveram como parentes colaterais os papas Calisto II, Clemente II, Inocêncio IV, Victor II, Adriano V, Leão IX e Gregório V. Os primeiros quatros papas foram parentes mais próximos, sendo irmãos de antepassados do imigrante von Hohendorff.

As fotos a seguir mostram membros dessa dinastia, imigrada para o Brasil:

João von Hohendorff, filho do imigrante, nasceu em 1856 e faleceu em 1934 em São Leopoldo, von Hohendorff tinha moinho no Rio dos Sinos, São Leopoldo


A filha mais velha de João von Hohendorff, Mathilde Leontina com o marido Henrique Felipe Ebling de São Leopoldo por volta do ano de 1900


João Carlos von Hohendorff e esposa Adolfina Einsfeld. João Carlos era o filho mais velho de João, ele foi professor, moleiro e um dos líderes da sociedade de cantores do arroio da Manteiga em São Leopoldo


A esquerda Oscar Walter von Hohendorff que foi dentista em São Leopoldo; a direita sua esposa Herta Klein em fotografias tiradas na década de 1910


À esquerda Walter von Hohendorff e à direita Gustavo von Hohendorff em São Leopoldo, filhos mais novos de João von Hohendorff


Na foto tirada na década de 1920 em São Leopoldo está Wilma Ebling (à esquerda) com as tias Olga von Hohendorff Mattje (ao meio) e Herta Klein von Hohendorff (à direita). Naquela época era comum homens e mulheres usarem chapéu.